segunda-feira, 12 de janeiro de 2009

Quadrinhos Nacionais Ganhando Importância?







Já faz um tempo, eu estava procurando na banca de jornal alguma revista sobre “O Cavaleiro das Trevas”, pouco antes da estréia nos cinemas, quando me deparei com essa revista; “Saiba mais com Turma da Mônica sobre História em Quadrinhos”, na hora peguei a revista e comprei.

A historinha é toda em metalinguagem, é muito bacana e tem bastante referencias sobre os principais personagens de hqs e seus criadores, eles até falam de pinturas rupestres e baixos-relevos, como um possível primórdio do que viria a ser HQs, e com a Turma da Mônica apresentando dá um charme a mais. Nós vemos Batman, Titin, Sobrinhos do Capitão, etc. É bem legal.

Aí chega numa parte sobre as hqs no Brasil, e pra minha surpresa é bem bacana! Não só os famosos quadrinhos de humor nacionais que já são valorizados são citados, como a época áurea do estilo de terror tupiniquim e o que me deixo mais pasmado, os super-heróis do Brasil não foram esquecidos!

Talvez você não saiba, mas os Estados Unidos não reconhecem Santos Dumont como pai da aviação, para eles, o avião foi inventado pelos Irmãos Wright. E acham que esse invento que revolucionou os transportes no mundo, e uma peça fundamental para a revolução tecnológica que vivemos hoje, foi criado na nas terras do Tio Sam, os donos do mundo não aceitam que não foram os primeiros a voar de verdade.

Com os quadrinhos acontecem quase a mesma coisa! Ângelo Agostine , um italiano que vivia no Brasil no século XIX já desenhava para a revista “Vida Fluminense”, muito antes da criação do Yellow Kid, que é tido historicamente como o primeiro “quadrinho” do mundo. Claro que aqui no Brasil os quadrinhos não tem valor nenhum, o que limita a discussão para algum estudioso do assunto e alguns leitores desse meio de comunicação, não é algo que seja dada importância como a criação do avião. O Brasil caga e anda se os quadrinhos foram criados aqui. Importante é dizer que a revista não esquece desse assunto.

O ruim é que é muito curta, poderia ser quase um livro, mas é bem curtinha essa revista. Uma pena.
E no fim, ela não fala nada sobre o movimento dos quadrinhos nacionais na internet. É o que faltou pra mim.

Um pouco antes disso, a MTV passou um pequeno especial sobre Hqs Nacionais no seu MTV Noticias.


E mais recentemente, o Canal Brasil fez um interessante documentário sobre o assunto. Muito bem feito, onde temos vários nomes do mercado nacional contanto sobre a trajetória dessa mídia no país. São cinco episódios dividos em temas, como Hqs de terror, cômicos, etc.


Me convidaram para o evento de estréia aqui no Rio, e posso dizer, ficou bacana. Porém, descobri que não há menção sobre o movimento de quadrinistas na internet.

Bom, como o Ziraldo falou meses atrás no programa de Aumary Jr., “Todo mundo que meche na internet é babaca” é difícil que o movimento seja levado a sério.

É uma pena que essa etapa em que os quadrinhos nacionais vivem atualmente não seja considerada pelos artistas consagrados e pelas outras mídias, pois é um movimento digno, já que não existe espaço para os artistas e personagens brasileiros atuais. A internet se tornou a única ferramenta para a divulgação dos trabalhos. Relembrar o passado, passar as experiências é ótimo, mas é preciso que se veja o presente e o futuro, senão não haverá renovação.

Claro que é ótimo que as outras mídias e os grandes estejam se interessando pelo assunto.

Eu pessoalmente acho que existe um caminho pra esses personagens e artistas, um caminho que quem sabe não quer dividir. A internet é apenas uma etapa nesse caminho.

Não vou falar qual é o caminho, porque ninguém me dá atenção e nunca vão me dar crédito por qualquer idéia, mas digo, apesar da roupagem esse caminho já foi usado pelos quadrinhos norte-americanos e pelo quadrinista nacional mais bem sucedido, Mauricio de Souza.

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